
Yochanan escreveu mensagens específicas para cada uma das sete congregações.
Antes delas, porém, ele registrou uma saudação geral destinada a todas, introduzindo o conteúdo central da profecia. Vejamos:
“Yochanan às sete congregações que estão na província da Ásia:
Que vocês sejam favorecidos e tenham paz da parte “Daquele que é, que era e que vem”,
da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono
e da parte de Yeshua, o Ungido, “a Testemunha Fiel”, “o Primogênito dentre os mortos” e “o Governante dos reis da terra”.
Àquele que nos ama e nos livrou dos nossos erros por meio do seu próprio sangue — e fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai —, sim, a ele seja a glória e o poder para sempre. Amém.
Vejam! Ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, incluindo aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra baterão no peito de pesar por causa dele. Sim, amém.
“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz Yhwh, o Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-Poderoso”.
Revelação de Yochanan (Apocalipse 1:4–8)
Podemos dividir este trecho em sete temas principais:
1. A identificação do autor do texto
2. A paz
3. “Aquele que vem”
4. Da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono
5. O protagonismo de Yeshua
6. A profecia do retorno
7. A confirmação de Yhwh
A seguir, estudaremos cada uma dessas partes de forma detalhada.
“Yochanan às sete congregações que estão na província da Ásia.”
Os três primeiros versículos do livro apresentam a origem divina da revelação.
A partir do versículo 4, porém, o texto passa a apresentar o mensageiro humano encarregado de transmitir essa revelação às congregações.
Se os três primeiros versículos do livro trazem a apresentação do livro, do quarto ao oitavo versículo, temos a apresentação do autor do mesmo.
Yochanan se identifica como autor do registro, não como origem da mensagem.
Ele é o relator da visão recebida — aquela que Yeshua lhe mostrou por ordem de Yhwh, o Deus vivo.
A cadeia da revelação é clara e reverente:
Yhwh revela → Yeshua transmite → um mensageiro extraterrestre (mal’akh/anjo) comunica → Yochanan registra.
Assim, Yochanan escreve não como fonte da profecia, mas como testemunha e escriba fiel do que lhe foi mostrado.
1.2.3. A paz.
“Que vocês sejam favorecidos e tenham paz”
Antes de falar sobre o conteúdo do texto, Yochanan saúda os destinatários de sua carta com o tradicional cumprimento judeu: “Shalom” em hebraico. Como as cartas foram escritas em grego, Yochanan deseja “eiríni” a todos que receberem sua carta.
Porém, Yochanan não deseja a paz, no sentido secular, da compreensão natural das pessoas, paz esta que se refere a sensação de bem-estar que se tornou-se sinônima da ausência de conflitos.
Yochanan deseja a paz que vem da parte “Daquele que é, que era e que vem”, da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono e da parte de Yeshua, o Ungido.
Essa paz é a sensação de bem-estar para com Deus, presente até mesmo durante os conflitos mais difíceis, esta é a eirini desejada por Yochanan, a Shalom ve’Yhwh, a paz de Yhwh, que se popularizou entre nossos irmãos como a saudação: “A paz do senhor.”
Yochanan inicia sua saudação mencionando a paz que procede “daquele que vem”. Essa expressão não se refere a Yeshua, pois, quando a carta foi escrita, Yeshua já havia estado com Yochanan, havia sido morto e ressuscitado por ação e autoridade de Yhwh, o Deus Todo-Poderoso.
Aqui se estabelece uma distinção fundamental entre a paz desejada por Yochanan e a paz comum ao mundo.
A paz que procede de Deus difere da paz humana, pois, para que o mundo esteja em paz, exige-se a ausência de conflitos. Já a paz que vem de Yhwh não depende das circunstâncias externas.
Yhwh concede bem-estar aos seus mesmo em meio a uma multiplicidade de conflitos, e essa tranquilidade interior — sustentada pela confiança no Deus que vem — era o desejo expresso por Yochanan em sua saudação.
1.2.5. Da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono.
Após mencionar a paz que procede de Yhwh, Yochanan amplia sua saudação e inclui também aqueles que servem continuamente diante do trono divino. Assim, ele não apresenta apenas a fonte suprema da paz, mas também os agentes por meio dos quais o governo de Yhwh é administrado na ordem da criação.
Yochanan destaca os sete espíritos que estão diante de Deus, indicando a existência de sete servos celestes cheios do espírito de Yhwh. Esses seres são reconhecidos como sete arcanjos, sete governadores universais, os mais próximos do trono, plenos do poder de Deus, fiéis entre todos os seres criados e estabelecidos como príncipes do governo de Yhwh.
“E da parte de Yeshua, o Ungido, a Testemunha Fiel, o Primogênito dentre os mortos e o Governante dos reis da terra. Àquele que nos ama e nos livrou dos nossos pecados por meio do seu próprio sangue — e fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai —, sim, a ele seja a glória e o poder para sempre. Amém.”
Yochanan esteve com Yeshua durante um ano inteiro, caminhou com o Mestre de perto e conviveu com aquele que transformou sua vida. Tal vivência leva Yochanan a dar o protagonismo devido a Yeshua, o Ungido.
Muitos em nossa sociedade se autodenominam cristãos, e outros se identificam como messiânicos — termos que expressam a mesma ideia: seguidores do Ungido. A palavra Cristo, de origem grega, é sinônima de Mashiach, do hebraico; em português, popularizou-se como Messias. Todas, porém, carregam o mesmo significado: Ungido.
Yeshua foi ungido ao aceitar entregar sua vida por aqueles que erram, uma decisão tomada quando o homem escolheu a condenação por amor à sua companheira. Foi ali que se tornou o Primogênito dentre os mortos — não por ser o primeiro a morrer, mas por ser o primeiro a aceitar voluntariamente a morte em favor dos que erram.
Essa decisão fez dele o Governante de todos os que erram e, portanto, o Governante de toda a Terra — acima de qualquer liderança ou poder que exista neste mundo.
Ele amou o homem mesmo quando este escolheu a condenação, e o resgatou com seu sangue separado, tornando o povo de Israel, que escolheu, um reino de sacerdotes para seu Deus e Pai.
É por isso que Yochanan faz referência especial a ele, dando-lhe o protagonismo devido ao desejar que a shalom, a paz que procede de Yeshua, alcance todos os que recebem sua carta.
E, como declarou Yochanan: Amém! Pois todos desejamos que assim seja.
Após desejar aos destinatários de sua carta a paz que procede de Yhwh, dos sete seres celestiais cheios do espírito de Deus, destacando Yeshua como o Ungido de Deus para reinar não apenas sobre toda a Terra, mas sobre todo o Universo, Yochanan anuncia uma importante profecia:
“Vejam!
Ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, inclusive aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra baterão no peito de pesar por causa dele.”
Aqui está a grande esperança que molda a vida de todos os que buscam se manter fiéis ao Criador e a Yeshua.
Todos, inclusive aqueles que o transpassaram, o verão vindo em glória. O estabelecimento do Reino de Deus por meio do seu ungido, Yeshua, não é apenas um dos temas deste livro — é a profecia que sustenta toda a revelação.
Após Yochanan profetizar a respeito do retorno de Yeshua, ele registra um “amém” que não procede nem de Yeshua, nem dele próprio.
“Sim, amém.”
Este amém vem de Yhwh, o Deus Criador.
“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz Yhwh, o Deus Criador, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-Poderoso”.
(Revelação 1:8)
Aqui está a identificação daquele que confirma a profecia do retorno de Yeshua. Sabemos que ela é verdadeira porque o próprio Yhwh, o Deus Criador, a confirmou.
Yochanan faz questão de citar a fala do Criador porque, embora Yeshua seja o protagonista do processo de salvação, é Yhwh, o Deus Criador, quem detém a autoridade suprema. Ele é o verdadeiro Salvador, pois toda salvação se fez segundo a sua vontade.
Yeshua é o Ungido (Cristo, Messias, Mashiach)! Ungido por quem? Por Yhwh, o Deus Criador.
Yeshua é Rei eleito! Eleito por quem? Por Yhwh, o Deus Criador.
Yeshua é o Escolhido! Escolhido por quem? Por Yhwh, o Deus Criador.
Yeshua é o Cordeiro! Cordeiro de quem? De Yhwh, o Deus Criador.
Toda autoridade no céu e na Terra foi dada a Yeshua por ele ser fiel não apenas à Criação, mas ao Criador. Por isso ele é chamado de Ungido do Criador. Ele foi exaltado pela maior autoridade — recebeu todo poder daquele a quem nenhuma criação se compara.
Sem Yhwh, o Deus Criador, Yeshua não existiria. Por isso, todo louvor e gratidão dirigidos a Yeshua devem culminar em adoração a Yhwh.
Halelu Yah!
Após desejar a paz às congregações e apresentar a autoridade suprema de Yhwh, o Deus Criador, Yochanan relata como recebeu a revelação.
“Eu, Yochanan, irmão e companheiro de vocês na tribulação, no reino e na perseverança em união com Yeshua, encontrava-me na ilha de Patmos por ter falado a respeito de Elohim e ter dado testemunho de Yeshua. No dia de Yhwh, fui levado em espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante ao som de uma trombeta, dizendo: ‘O que você vê, escreva num rolo e envie às sete congregações que estão em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.’”
(Revelação 1:9-11)
Muitos talvez não se atentem a este detalhe, mas é fundamental perguntar: em que dia Yochanan recebeu a revelação?
O texto afirma claramente: “No dia de Yhwh.”
No mundo cristão, há quem declare que, após a morte e ressurreição de Yeshua, o dia de Yhwh teria sido abolido. Contudo, o próprio livro da Revelação apresenta realidade distinta.
Yhwh, o Deus Criador, escolhe o seu dia separado — o Shabat — para conceder a Yochanan a revelação que antes havia confiado a Yeshua.
Isso não é acidental. É pedagógico. É teológico. É confrontativo.
O livro da Revelação, conhecido entre muitos como Apocalipse, foi recebido em um Shabat, pois este é o dia de Yhwh — dia separado para Ele.
O mesmo Deus que estabeleceu o Shabat na criação confirma sua validade no momento em que revela os mistérios finais da história.
Aqui há sabedoria e resposta para diversos enigmas.
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