
Desde o princípio da criação da humanidade, Yhwh estabeleceu uma ordem sobre a Terra. Nada foi criado de maneira aleatória. Os céus possuíam sua estrutura, os mares seus limites, os luminares suas funções e cada criatura seu lugar determinado. Entretanto, entre todas as obras formadas naquele período inicial, uma recebeu uma posição singular: o homem.
Adam não foi criado apenas como mais uma criatura entre os seres da Terra. Ele foi estabelecido como governador. Sua existência estava ligada à autoridade, administração e domínio sobre o mundo criado.
As Escrituras afirmam:
“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a Terra e sobre todos os répteis que rastejam pela Terra.” Bereshit (Gênesis) 1:26
Desde seu primeiro dia de existência, Adam recebeu autoridade sobre tudo que havia sido colocado debaixo dos céus. Os animais lhe foram sujeitos. A criação terrestre estava sob sua administração. O jardim lhe foi entregue para cultivar e guardar. Entre todas as criaturas terrenas, ele ocupava a posição mais elevada.
Adam era, portanto, um arquétipo.
Assim como o Grande Ungido havia sido apresentado como Primogênito da criação e senhor do universo, Adam foi estabelecido como senhor da Terra. O primeiro refletia uma autoridade celestial e universal; o segundo representava essa mesma estrutura dentro da criação terrena.
Isso não significava igualdade entre ambos, mas correspondência estrutural.
Yhwh estabelecia na Terra uma representação visível de um governo maior.
Adam era perfeito em sua formação. Não havia corrupção em seu corpo, perversidade em seus pensamentos ou rebelião em sua natureza. Sua existência refletia harmonia com Yhwh, domínio sobre a criação e autoridade legítima sobre o mundo que lhe havia sido confiado.
A própria expressão “filho de Deus” aparece associada a Adam nas Escrituras.
Ao apresentar a genealogia humana, Lucas declara:
“... filho de Enosh, filho de Sheth, filho de Adam, filho de Deus.” Lucas 3:38
Adam ocupava uma posição singular entre os homens. Ele não nascera de outro ser humano. Fora formado diretamente pelas mãos de Yhwh e colocado como cabeça da humanidade sobre a Terra.
Entretanto, aquilo que havia sido estabelecido em perfeição não permaneceu dessa maneira.
O senhor da Terra caiu.
A serpente, descrita nas Escrituras como adversária e enganadora, aproximou-se da mulher buscando conduzir a humanidade à rebelião. O homem que havia recebido domínio sobre a criação permitiu que a desobediência penetrasse no mundo. O governo entregue à humanidade foi ferido pelo pecado.
A queda de Adam não afetou apenas sua própria vida. Ela atingiu toda a estrutura colocada sob sua administração.
A morte entrou no mundo.
A corrupção alcançou a Terra.
O sofrimento passou a acompanhar a humanidade.
O homem que deveria governar em fidelidade tornou-se mortal, vulnerável e afastado da presença plena de Yhwh.
Todavia, é exatamente nesse cenário de queda que um dos mais importantes anúncios das Escrituras é apresentado.
No momento em que o primeiro senhor da Terra fracassa, Yhwh anuncia a vinda de outro.
Dirigindo-se à serpente, Yhwh declara:
“Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e a descendência dela; esta lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar.” Bereshit (Gênesis) 3:15
Essa declaração ultrapassa o conflito imediato ocorrido no Éden.
Pela primeira vez, surge a promessa de um descendente que pisaria a cabeça da serpente. Um homem que seria ferido, mas que destruiria o poder do enganador.
Aqui, o arquétipo começa a transformar-se em profecia.
Adam, o primeiro senhor da Terra, falhou em sua missão. Porém, Yhwh anuncia que da própria humanidade surgiria outro homem que pisaria a cabeça da serpente e restauraria aquilo que havia sido perdido.
Por essa razão, as Escrituras posteriormente apresentam Yeshua como “Filho do Homem”.
A expressão, em hebraico, carrega a ideia de Ben Adam — filho de Adam, descendente humano.
O título não enfatiza apenas humanidade. Ele aponta para continuidade.
Yeshua surge como aquele que ocupa a posição que Adam perdeu.
O primeiro homem trouxe morte.
Seu filho traria vida.
O primeiro senhor da Terra cedeu diante da serpente.
O Filho do Homem pisaria sua cabeça.
O primeiro Adam abriu caminho para a corrupção.
Seu filho ungido abriria caminho para restauração.
Paulo escreve:
“O primeiro homem, Adam, tornou-se alma vivente; o último Adam, espírito vivificante.” 1 Coríntios 15:45
E ainda:
“Porque, assim como em Adam todos morrem, assim também todos serão vivificados no Ungido.” 1 Coríntios 15:22
As Escrituras revelam, portanto, que Adam não foi apenas o primeiro homem da humanidade. Sua própria posição dentro da criação funcionava como sombra de algo maior que seria plenamente revelado no futuro.
Ele era um arquétipo do Ungido.
Criado perfeito.
Estabelecido como senhor.
Chamado filho de Deus.
Governante sobre a Terra.
Mas também figura daquele que viria depois dele.
O verdadeiro Filho do Homem.
A semente da mulher.
O Ungido que pisaria a cabeça da serpente.
E assim, logo nas primeiras páginas das Escrituras, antes mesmo da formação dos reinos, das alianças e das nações, Yhwh já começava a desenhar, através da própria história humana, a imagem daquele que um dia seria revelado ao mundo.
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