Quinta, 11 de Junho de 2026

2. O cordeiro

II O Grande Ungido

10/06/2026 às 09h24
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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2. O cordeiro

A queda de Adam produziu consequências imediatas. O homem que havia sido criado para governar a Terra agora experimentava algo que jamais conhecera: a culpa.

Ao perceberem sua condição, Adam e Chawah procuraram esconder-se. A inocência que antes marcava sua existência foi substituída pela vergonha. Pela primeira vez, a humanidade passou a enxergar sua própria nudez e tentou resolver o problema por seus próprios meios.

As Escrituras relatam que ambos costuraram folhas para fazer coberturas para si.

Era a primeira tentativa humana de lidar com o pecado.

O homem havia caído, mas ainda não compreendia plenamente a gravidade de sua condição.

Folhas podiam esconder a aparência exterior.

Não podiam remover a culpa.

A separação causada pelo pecado exigia algo maior.

Foi então que Yhwh realizou uma ação que mudaria para sempre a compreensão da redenção.

As Escrituras afirmam:

“Yhwh Deus fez túnicas de pele para Adam e sua mulher, e os vestiu.”
Bereshit 3:21

À primeira vista, trata-se apenas de um detalhe narrativo.

Entretanto, quando observado com atenção, o texto revela algo extraordinário.

Peles não se tornam matéria-prima para roupas sem morte.

Para que Adam e Chawah fossem vestidos, um animal precisou morrer.

O primeiro derramamento de sangue registrado nas Escrituras acontece imediatamente após o pecado do homem.

A humanidade havia transgredido.

Mas quem morreu não foi o pecador.

Foi um inocente.

Aqui surge um dos mais importantes arquétipos de toda a revelação bíblica.

Um substituto morre para que o homem seja salvo de sua vergonha.

A culpa pertence ao homem.

A morte recai sobre outro.

A vergonha permanece sobre o pecador.

Mas a cobertura vem através do sacrifício.

Nada indica que Adam tenha compreendido completamente o significado daquele acontecimento. Entretanto, a história passaria a repetir o mesmo padrão ao longo dos séculos.

Altares seriam erguidos.

Animais seriam oferecidos.

Sangue seria derramado.

E a cada geração, a mesma lição seria ensinada.

O pecado produz morte.

Mas Yhwh providencia um substituto.

Esse primeiro animal sacrificado funciona como uma representação profética do Ungido.

Não porque o animal possuísse poder para remover pecados.

Mas porque apontava para aquele que um dia faria aquilo que nenhum sacrifício animal poderia realizar plenamente.

Séculos depois, quando Yochanan, o imersor, vê Yeshua aproximar-se, ele declara:

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”
Yochanan 1:29

A expressão não surge do nada.

Ela nasce de uma longa história construída por Yhwh.

O cordeiro que cobriu Adam.

Os cordeiros oferecidos pelos patriarcas.

Os cordeiros apresentados sobre os altares.

O cordeiro da Pessach.

Todos apontavam para uma realidade maior.

Todos anunciavam alguém que ainda viria.

O primeiro animal sacrificado no Éden não removia pecados, mas era a sombra daquele que assim faria.

O verdadeiro cumprimento seria o próprio Filho do Homem.

Assim como Adam havia falhado em sua missão, outro viria para restaurar aquilo que fora perdido.

Mas antes de reinar, ele precisaria morrer.

Antes de restaurar o domínio, precisaria lidar com o pecado.

Antes de receber a coroa, precisaria tornar-se o cordeiro.

Por isso, logo após a primeira profecia acerca da semente da mulher, surge também o primeiro arquétipo do sacrifício redentor.

A promessa anuncia quem viria.

O cordeiro anuncia como ele viria.

E assim, ainda nas primeiras páginas das Escrituras, Yhwh começa a desenhar outra parte da imagem do Ungido.

Ele seria o Filho do Homem prometido.

Mas também seria o Cordeiro que morreria para cobrir a vergonha da humanidade.

Muito antes da Pessach.

Muito antes dos sacrifícios do tabernáculo.

Muito antes dos profetas.

O arquétipo já estava presente.

Um inocente morrendo para cobrir o pecador.

E desde aquele dia, toda vez que um cordeiro era conduzido ao sacrifício, a história continuava apontando para aquele que um dia seria chamado de:

O Cordeiro de Deus.

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