
Ao pôr do sol desta quarta-feira (1º), será celebrada a Pessach (Páscoa bíblica), marcando também o começo da Festividade dos Pães Asmos (Chag HaMatzot), um dos períodos mais significativos do calendário bíblico.
Diferente das celebrações modernas amplamente difundidas, a Pessach não está vinculada a um dia específico da semana, como sexta-feira ou domingo. Segundo as Escrituras, a data é estabelecida de forma precisa: o 14º dia do primeiro mês do calendário bíblico (Aviv).
Data definida pela Torá
A determinação da celebração está registrada em textos fundamentais:
Esses textos indicam que a celebração segue um calendário próprio, desvinculado dos sistemas modernos baseados em semanas fixas.
Origem anterior ao Êxodo: o arquétipo no Éden
Embora tradicionalmente associada à saída de Israel do Egito, a origem simbólica da Pessach é apresentada, por algumas leituras teológicas, como anterior ao Êxodo.
Em Bereshit (Gênesis) 3:21, é descrito que Yhwh faz vestimentas de pele para Adam e Chawah, o que implica a morte de um animal — interpretado como o primeiro sacrifício substitutivo.
Esse evento é visto como um arquétipo da redenção, posteriormente refletido em outros episódios bíblicos.
O paralelo no sacrifício de Yitzhak
Outro momento central ocorre em Bereshit (Gênesis) 22:1-18, quando Yitzhak é levado ao monte Moriá.
No relato, um cordeiro é provido em substituição, reforçando o padrão simbólico de sacrifício substitutivo que, mais tarde, seria associado à Pessach.
Mandamento para Israel e o estrangeiro
A Pessach e a Festividade dos Pães Asmos são estabelecidas como mandamentos para Israel — e também para o estrangeiro que desejar fazer parte do povo de Yhwh.
Durante o período do Tabernáculo e do Templo, a celebração incluía:
A proibição do fermento
Um dos pontos centrais da Festividade dos Pães Asmos é a proibição total do fermento.
Durante sete dias:
A prática simboliza pureza e separação, sendo uma das marcas mais rigorosas da celebração.
A morte de Yeshua e o “dia da preparação”
Os relatos dos evangelhos — como Matyahu (Mateus) 27, Marcos 15, Lucas 23 e Yochanan (João) 19 — indicam que Yeshua foi executado no chamado “dia da preparação”.
Esse dia, segundo a leitura apresentada, não necessariamente corresponde a uma sexta-feira, mas ao período de preparação para a Pessach e para o Yom Shabat, não um Yom Shabat de sétimo dia e sim o primeiro dia da Festividade dos Pães Asmos.
A nova forma de celebrar a Pessach
Na noite do dia 14 de Aviv, antes de sua morte, Yeshua estabelece uma nova forma de celebrar a Pessach, conforme descrito em:
Nesse momento, os elementos da celebração passam a representar seu próprio corpo e sangue, sendo interpretado por seus seguidores como o cumprimento do símbolo do cordeiro pascal.
Ressurreição e a festa das Primícias
A ressurreição de Yeshua é associada à festividade das Primícias, descrita em Vaikrah 23:9-14.
Segundo essa leitura, o evento ocorre no dia seguinte ao Yom Shabat ligado ao início dos Pães Asmos — e não necessariamente no domingo, como tradicionalmente adotado.
Tradições modernas e divergências
Atualmente, a Páscoa é celebrada de diferentes formas:
Essas práticas, ao longo dos séculos, incorporaram elementos culturais e religiosos que se distanciam das orientações originais.
Realidade local na fronteira
Na região de Ponta Porã e fronteira com o Paraguai, a celebração popular inclui alimentos típicos como chipa, sopa paraguaia e doces, além dos tradicionais ovos de chocolate.
Entretanto, tais práticas contrastam com a orientação bíblica da Festividade dos Pães Asmos, que determina a abstenção total de fermento durante sete dias.
Entre tradição e Escritura
A chegada da Pessach reacende, a cada ano, o debate entre tradição religiosa e prática bíblica, colocando em evidência a diferença entre a tradição religiosa e cultural, e a orientação bíblica que a fundamenta.
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