Quinta, 11 de Junho de 2026

Pessach começa ao pôr do sol desta quarta-feira e reacende debate sobre prática bíblica da celebração

Data é definida pelo calendário bíblico e não por dias fixos da semana; tradição atual diverge de orientações originais

01/04/2026 às 09h41 Atualizada em 01/04/2026 às 09h44
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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Pessach começa ao pôr do sol desta quarta-feira e reacende debate sobre prática bíblica da celebração

Ao pôr do sol desta quarta-feira (1º), será celebrada a Pessach (Páscoa bíblica), marcando também o começo da Festividade dos Pães Asmos (Chag HaMatzot), um dos períodos mais significativos do calendário bíblico.

Diferente das celebrações modernas amplamente difundidas, a Pessach não está vinculada a um dia específico da semana, como sexta-feira ou domingo. Segundo as Escrituras, a data é estabelecida de forma precisa: o 14º dia do primeiro mês do calendário bíblico (Aviv).


Data definida pela Torá

A determinação da celebração está registrada em textos fundamentais:

  • Em Shemot (Êxodo) 12, a Pessach é instituída como memorial perpétuo
  • Em Vaikrah (Levítico) 23:4-5, é reafirmado que ocorre no 14º dia do primeiro mês
  • Já em Vaikrah (Levítico) 23:6-8, inicia-se a Festividade dos Pães Asmos no dia seguinte

Esses textos indicam que a celebração segue um calendário próprio, desvinculado dos sistemas modernos baseados em semanas fixas.


Origem anterior ao Êxodo: o arquétipo no Éden

Embora tradicionalmente associada à saída de Israel do Egito, a origem simbólica da Pessach é apresentada, por algumas leituras teológicas, como anterior ao Êxodo.

Em Bereshit (Gênesis) 3:21, é descrito que Yhwh faz vestimentas de pele para Adam e Chawah, o que implica a morte de um animal — interpretado como o primeiro sacrifício substitutivo.

Esse evento é visto como um arquétipo da redenção, posteriormente refletido em outros episódios bíblicos.


O paralelo no sacrifício de Yitzhak

Outro momento central ocorre em Bereshit (Gênesis) 22:1-18, quando Yitzhak é levado ao monte Moriá.

No relato, um cordeiro é provido em substituição, reforçando o padrão simbólico de sacrifício substitutivo que, mais tarde, seria associado à Pessach.


Mandamento para Israel e o estrangeiro

A Pessach e a Festividade dos Pães Asmos são estabelecidas como mandamentos para Israel — e também para o estrangeiro que desejar fazer parte do povo de Yhwh.

Durante o período do Tabernáculo e do Templo, a celebração incluía:

  • Sacrifício do cordeiro no dia 14
  • Consumo imediato da refeição memorial

A proibição do fermento

Um dos pontos centrais da Festividade dos Pães Asmos é a proibição total do fermento.

Durante sete dias:

  • Não se deve consumir fermento
  • Não se deve manter fermento em casa
  • A orientação se estende a todos os derivados

A prática simboliza pureza e separação, sendo uma das marcas mais rigorosas da celebração.


A morte de Yeshua e o “dia da preparação”

Os relatos dos evangelhos — como Matyahu (Mateus) 27, Marcos 15, Lucas 23 e Yochanan (João) 19 — indicam que Yeshua foi executado no chamado “dia da preparação”.

Esse dia, segundo a leitura apresentada, não necessariamente corresponde a uma sexta-feira, mas ao período de preparação para a Pessach e para o Yom Shabat, não um Yom Shabat de sétimo dia e sim o primeiro dia da Festividade dos Pães Asmos.


A nova forma de celebrar a Pessach

Na noite do dia 14 de Aviv, antes de sua morte, Yeshua estabelece uma nova forma de celebrar a Pessach, conforme descrito em:

  • Matyahu (Mateus)  26:26-30
  • Yochanan Marcos 14:22-26
  • Lucas  22:14-20

Nesse momento, os elementos da celebração passam a representar seu próprio corpo e sangue, sendo interpretado por seus seguidores como o cumprimento do símbolo do cordeiro pascal.


Ressurreição e a festa das Primícias

A ressurreição de Yeshua é associada à festividade das Primícias, descrita em Vaikrah 23:9-14.

Segundo essa leitura, o evento ocorre no dia seguinte ao Yom Shabat ligado ao início dos Pães Asmos — e não necessariamente no domingo, como tradicionalmente adotado.


Tradições modernas e divergências

Atualmente, a Páscoa é celebrada de diferentes formas:

  • Cristãos protestantes: foco na ressurreição
  • Católicos: calendário litúrgico com datas fixadas
  • Cristãos orientais: variações conforme calendários próprios
  • Judaísmo: celebração do Pessach com tradições rabínicas

Essas práticas, ao longo dos séculos, incorporaram elementos culturais e religiosos que se distanciam das orientações originais.


Realidade local na fronteira

Na região de Ponta Porã e fronteira com o Paraguai, a celebração popular inclui alimentos típicos como chipa, sopa paraguaia e doces, além dos tradicionais ovos de chocolate.

Entretanto, tais práticas contrastam com a orientação bíblica da Festividade dos Pães Asmos, que determina a abstenção total de fermento durante sete dias.


Entre tradição e Escritura

A chegada da Pessach reacende, a cada ano, o debate entre tradição religiosa e prática bíblica, colocando em evidência a diferença entre a tradição religiosa e cultural, e a orientação bíblica que a fundamenta.

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