Quinta, 11 de Junho de 2026

2. Joaquim — o irmão

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25/05/2026 às 09h47 Atualizada em 25/05/2026 às 14h30
Por: Luan Dutra Fonte: Por Markon Machado
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2. Joaquim — o irmão

1. Nem todos os irmãos nascem do mesmo sangue,
2. Alguns nascem do amor que o tempo distingue.

3. Quando o mosaico-cristão ainda era criança,
4. Joaquim surgiu em sua vida como presença e esperança.

5. Seu pai o acolheu e o chamou de filho,
6. E naquele lar encontrou abrigo e trilho.

7. Joaquim era alegre, sonhador e brincalhão,
8. E logo se tornou o grande irmão.

9. O sangue não corria igual em suas veias,
10. Mas o amor entre eles não conhecia cadeias.

11. Joaquim chegava gritando desde o portão,
12. Chamando com alegria: “Manão! Irmãozão!”

13. Gostava do riso, do trote e da brincadeira,
14. Era alma leve, espírito de verdadeira bandeira.

15. Jovem valente, de coragem no olhar,
16. Daqueles que não temem o que vier a enfrentar.

17. Mas veio um dia que mudou o destino da estação,
18. Era o início do oitavo mês na contagem da revelação.

19. O final do mês que muitos chamam de outubro,
20. E naquele tempo a família conheceu um luto duro.

21. Um tiro covarde, disparado pelas costas em plena luz do dia.
22. Ceifou a vida do irmão que lhe compartilhava alegria.

23. Joaquim caiu ainda cheio de energia e vigor,
24. E seu assassinato deixou na casa silêncio e dor.

25. Para o pai não era apenas um filho adotado,
26. Era um filho verdadeiro, profundamente amado.

27. E a perda de um filho que o coração abraça,
28. É uma dor que nenhuma vida disfarça.

29. A confiança do pai tornou-se fragilidade profunda,
30. Ferida que o tempo jamais circunda.

31. Talvez ao olhar o mosaico-cristão crescer,
32. E não ver a mesma valentia florescer,

33. Tenha sentido tristeza silenciosa no coração,
34. Ao lembrar do jovem valente que perdeu na escuridão.

35. E o mosaico-cristão perdeu seu irmão mais velho,
36. E com ele um pedaço de seu próprio espelho.

37. Desde então um medo silencioso nele nasceu,
38. O temor de perder aqueles que o coração escolheu.

39. Ainda assim Joaquim deixou sinais de sua existência,
40. Pequenos marcos vivos de sua presença.

41. Um pequeno jeep de três rodas ficou a lembrar,
42. Como brinquedo simples que insistia em falar.

43. Ficou também uma jaqueta escolar guardada,
44. Preta e dourada, por ele usada.

45. Cores da escola Joaquim Murtinho a brilhar,
46. Cores que sempre o fariam lembrar.

47. Sempre que essa combinação o olhar alcançar,
48. A memória de Joaquim voltará a pulsar.

49. Anginha dormia farta de dias vividos,
50. E sua despedida parecia cumprir tempos cumpridos.

51. Mas a morte de um jovem não encontra razão,
52. Pois rasga o tempo e perturba o coração.

53. Uma vida cheia de força e alegria,
54. Não deveria cessar naquele dia.

55. Ainda assim sua memória permanece viva na canção,
56. Guardada no coração do mosaico-cristão.

57. Joaquim — irmão que o tempo não apagou,
58. Pois no coração do mosaico-cristão, sua memória se eternizou.

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