8.1. Nascimento de Enosh.
O livro do Gênesis (Bereshit/Princípio) no capítulo 5, versículo 6, registra o nascimento de Enosh, filho de Sheth. Embora não tenhamos muitos detalhes sobre seu papel histórico, sabemos com precisão que ele nasceu quando Sheth tinha 105 anos, o que situa seu nascimento no ano 236 da vida humana na Terra.
Nesse período, Sheth já poderia ter gerado outros filhos e filhas, embora o texto bíblico não especifique quantos nem em que ordem. Ainda que não saibamos se Enosh foi o primogênito de Sheth, o fato de seu nascimento ser explicitamente mencionado indica sua importância na linhagem familiar, pois um descendente seu foi escolhido para atravessar o Dilúvio e preservar a humanidade.
Bereshit (Gênesis) 4:26 afirma que, no tempo de Enosh, “começou-se a invocar o Nome de Yhwh”. Isso não significa apenas o início de uma prática devocional formal, mas indica, sobretudo, que a maldade já se ampliava na Terra e que os justos passaram a clamar por proteção divina.
Portanto, o nascimento de Enosh marca não só um marco genealógico, mas também um ponto de inflexão espiritual na história primitiva da humanidade.
8.2. A edificação de Chanok.
No mesmo período em que nasceu Enosh, as Escrituras mostram que Kayn também já havia constituído família e iniciado a construção de uma cidade dedicada a seu filho Chanok.
Bereshit (Gênesis) não declara explicitamente que isso ocorreu exatamente no ano 235, mas a conexão temporal é plausível e coerente, pois é justamente nesse momento que a Bíblia registra o crescimento da violência e a necessidade de invocar o Nome de Yhwh.
A partir disso, é razoável inferir que o nascimento de Enosh e a edificação de Chanok pertencem ao mesmo ciclo histórico, ainda que Mosheh não tenha tido como objetivo datar rigidamente cada acontecimento.
Segundo tradições preservadas no Livro de Yasher e em Flávio Josefo, Kayn teria se tornado ainda mais cruel ao edificar sua cidade, recorrendo à opressão e à violência para obter mão de obra e consolidar seu domínio.
Assim, a cidade de Chanok não surge apenas como um empreendimento urbano, mas como símbolo da expansão do poder humano desvinculado da fidelidade a Yhwh.
Esse quadro explica por que, no mesmo período, os justos passaram a invocar o Nome de Yhwh: a maldade não estava apenas presente — ela se institucionalizava.
8.3. A invasão da Terra.
Também nesse mesmo período — o ano 235 — ocorreu a invasão ilícita de seres celestiais extraterrestres, identificados em Bereshit (Gênesis) 6 como “filhos de Deus” (bene ha’Elohim).
Esses seres não eram humanos por natureza e haviam sido designados para atuar como sentinelas e guardiões da ordem criada, mas abandonaram sua posição original e desceram à Terra movidos por paixões desordenadas.
Eles decidiram se relacionar sexualmente com mulheres humanas, o que constitui uma transgressão grave contra a ordem estabelecida por Yhwh. Para conquistar influência entre os homens, esses invasores ensinaram práticas ocultas e magia, abrindo caminho para a idolatria e a corrupção espiritual generalizada.
Dessa amálgama entre humanidade e seres celestiais transgressores surgiram os nefilins, mencionados por Mosheh, seres de grande força e violência, que se tornaram parte do cenário moral que antecedeu o Dilúvio.
Os nefilins foram posteriormente destruídos no juízo das águas, e seus vestígios físicos teriam permanecido fossilizados como possível testemunho histórico de sua existência e fim na Terra.
Ora, não são os nefilins, aqueles que chamamos de dinossauros?
Dessa forma, o ano 235 pode ser compreendido como um ano trágico e decisivo:
Sheth celebrou o nascimento de Enosh;
Kayn consolidou sua cidade e ampliou sua crueldade;
seres celestiais extraterrestres — os filhos de Deus de Gênesis/Bereshit 6 — invadiram a Terra e aprofundaram a corrupção universal.
Esses três movimentos convergem para explicar por que a maldade cresceu de forma tão acelerada nesse período e por que o Dilúvio se tornaria inevitável nos séculos seguintes.











