A festividade de Purim, uma das celebrações mais marcantes do calendário da Bíblia, reúne milhões de fiéis em diferentes países para recordar um dos episódios mais dramáticos da história do povo judeus narrado no livro bíblico de Livro de Ester.
A data é marcada por alegria, leitura pública das Escrituras, envio de presentes e auxílio aos necessitados.
Contexto histórico: a ameaça e o livramento
O relato ocorre durante o domínio do Império Aquemênida (atual Irã), sob o reinado de Assuero (identificado historicamente por muitos estudiosos como Xerxes I ou Artaxerxes). Na narrativa, o oficial real Hamã planeja o extermínio dos judeus espalhados pelas províncias do império.
O plano é frustrado pela intervenção corajosa da rainha Ester, judia que havia ocultado sua identidade, e por seu primo Mordecai. Após jejum e estratégia política, Ester denuncia o complô diante do rei. Hamã acaba executado, e os judeus recebem autorização para se defender.
O termo “Purim” deriva de pur (sorte), referência ao sorteio lançado por Hamã para determinar o dia do massacre. A data, que seria de destruição, transforma-se em celebração de livramento e reversão histórica.
Ordem bíblica de celebração
A instituição formal da festa está registrada em Ester 9:20–22. O texto estabelece quatro práticas principais:
Leitura pública da Meguilá (Rolo de Ester) – Realizada na noite e no dia de Purim.
Alegria e banquete festivo – A data é marcada por confraternização e refeição especial.
Envio de presentes (mishloach manot) – Troca de presentes entre amigos e familiares.
Doações aos necessitados (matanot la’evyonim) – Assistência social como expressão concreta de solidariedade.
Em cidades que eram muradas na época de Esther, como Shushan, a celebração ocorre no dia 15 de Adar (12º mês da Bíblia), conhecida como Shushan Purim, em referência à capital aquemênida (iraniana) mencionada no relato bíblico.
Purim no ano católico de 2026 Em 2026, Purim está sendo celebrado desde o pôr do sol ontem (02):
Início: ao pôr do sol de segunda-feira, 2 de março de 2026
Término: ao anoitecer de terça-feira, 3 de março de 2026 Em Shushan, a celebração ocorrerá do pôr do sol de 3 de março até 4 de março de 2026.
Como o calendário judaico é lunissolar, as datas variam anualmente no calendário civil. Significado contemporâneo.
Além do caráter histórico, Purim carrega forte simbolismo teológico e identitário. A festa celebra: A preservação de um povo sob ameaça de extermínio.
A reversão de um decreto de morte em ocasião de vitória. A coragem individual que altera o curso da história coletiva. Em comunidades judaicas ao redor do mundo — de Israel às Américas, da Europa à África — sinagogas organizam leituras públicas, apresentações temáticas e ações sociais.
Crianças vestem fantasias, adultos participam de banquetes e a narrativa é recontada como expressão de memória coletiva e identidade cultural.
A festividade de Purim não é apenas recordação histórica. É a reafirmação anual de que ameaças podem ser revertidas, que decisões individuais têm impacto coletivo e que a preservação da identidade cultural depende da transmissão fiel de sua memória.
Em 2026, mais uma vez, fiéis celebrarão ao redor do mundo a data que transformou um decreto de morte em símbolo permanente de livramento e alegria.










