Luluwa nasceu como brisa em manhã recente,
Quando o mundo aprendia a existir lentamente.
Filha de Adam e Chawah, botão a florescer,
Ternura viva em terra que começava a endurecer.
Prometida a Hevel, o justo e fiel,
Seu coração repousava sob a esperança do céu.
Mas o sangue gritou, e o irmão tombou,
E o amor que nascia, na terra se calou.
Luluwa chorou onde ninguém via,
Guardou sua dor na luz do dia.
Prolongou sua viuvez sem, com homem, se casar.
Esperando um tempo que não iria voltar.
Viu Sheth tomar Azura em aliança fiel.
Viu Awan seguir Kayn em exílio cruel.
E sozinha permaneceu na terra em expansão,
Carregando beleza e silêncio no coração.
Os dias avançaram, e o mundo cresceu,
Os filhos de Elohim desceram onde o pó se moveu.
Olharam as filhas dos homens — e as desejaram,
E na beleza humana, seus limites cruzaram.
Luluwa foi a primeira a estender a mão,
Entre céu e terra rompeu-se a separação.
E sua formosura abriu caminho proibido,
Que selou a união do alto com o chão corrompido.
Não houve grito, nem voz de acusação,
Apenas o passo dado na vastidão.
E outros seguiram o mesmo querer,
E a carne misturou-se ao que não devia ser.
Luluwa não falou em defesa ou temor,
Caminhou sob o peso de seu próprio ardor.
Yhwh observou tudo isso, em silêncio profundo;
Enquanto os dias mudavam o destino do mundo.
Quem poderá julgar a filha que perdeu seu noivo de forma cruel?
Quem pesa o coração de uma mulher que decidiu se entregar aos seres do céu?
O pó não acusa, o vento não diz,
Somente o Eterno conhece o que fez e o que quis.
Luluwa ficou na memória daquela geração.
Não como fiel, mas a nós não cabe atribuir a ela qualquer condenação.
No entanto, o fato não pode ser ignorado ou esquecido.
Que a bela filha de Adam fez de um anjo, um ser caído.











