Azura nasceu em dias de dor ainda recente,
Quando a terra aprendia a viver após o pecado latente.
Filha de Adam e Chawah, criada fora do jardim,
Conheceu o mundo ferido desde o seu princípio e fim.
Entre irmãos marcados por sangue, culpa e temor,
Azura guardou no silêncio um caminho de amor.
Não correu atrás do tempo, nem forçou o amanhã,
Aprendeu que a espera também é fidelidade sã.
Seu coração voltou-se a Sheth, seu irmão fiel,
O mais justo entre os irmãos, amante do céu.
Mas Azura não tomou o amor por impulso ou paixão,
Esperou o tempo certo, com domínio do coração.
Enquanto muitos buscavam prazer, poder ou razão,
Ela cultivava a fidelidade como devoção.
Sabia que a justiça não nascia da pressa do querer,
Mas do alinhar da vida ao tempo de Yhwh agir e fazer.
Quando enfim se uniu a Sheth, não foi fuga nem acaso,
Foi aliança construída com verdade e com prazo.
Do amor paciente nasceu uma linhagem fiel,
Que andaria com Yhwh em meio a um mundo cruel.
Azura foi esposa constante, companheira e raiz,
Mãe que ensinou aos filhos o valor do que é justo e feliz.
Em seu ventre cresceu a esperança da geração,
Que guardaria a promessa em meio à corrupção.
Enquanto a violência crescia sobre a criação,
Azura formava lares com temor e instrução.
Não erguia cidades, nem buscava nome ou poder,
Ensinava a prudência e sabedoria para se viver.
Azura não foi rainha aos olhos da terra caída,
Mas foi coluna invisível sustentando a vida.
Pois enquanto o mundo corria para se perder,
Ela ensinava seus filhos a esperar e obedecer.
E se hoje falamos de justiça, promessa e perdão,
É porque mães silenciosas guardaram a direção.
Azura é nossa mãe, da linhagem que permaneceu,
Pois pela fidelidade de poucos, Yhwh o mundo reteve e sustentou.
Que sua memória nos ensine, em tempos de confusão,
Que esperar não é fraqueza, mas forma de submissão.
E que a justiça verdadeira não nasce da pressa ou do clamor,
Mas do coração que confia no tempo do Eterno com temor.









