9.1. Um concílio em Yerushalayim.
O último item a pontuar como integrando os principais textos utilizados para defender o equívoco que é ignorar a Lei de Deus com respeito à orientação dietética é o tão importante concílio de Atos 15, utilizado pelos católicos para defender que a Igreja Cristã e seus líderes têm poder e autorização divina para mudar a Lei de Deus.
A compreensão adequada deste texto nos levará finalmente a nos abstermos de tudo que Deus proibiu, ou aceitarmos que todo cristão dissidente do catolicismo é um herege, pois ignora este “princípio” de Atos 15.
O concílio começa a partir da polêmica a respeito da pregação de alguns que defendiam, assim como os judeus, que todos que aceitassem Yeshua deveriam ser circuncidados:
“Alguns homens desceram da Judeia e começaram a ensinar os irmãos:
‘A menos que vocês sejam circuncidados segundo o costume de Mosheh, não podem ser salvos.
Depois de muita discórdia e discussão de Paulo e Barnabé com eles, decidiu-se que Paulo, Barnabé e alguns outros subiriam a Yerushalayim para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos.’” Atos 15:1-2
“Quando Paulo e Barnabé chegaram a Yerushalayim foram recebidos bondosamente pela congregação, pelos apóstolos e pelos anciãos, e contaram as muitas coisas que Deus tinha feito por meio deles.
Mas alguns fariseus que haviam acreditado em Yeshua se levantaram dos seus assentos e disseram:
‘É necessário circuncidá-los e lhes ordenar que obedeçam a Lei de Mosheh.’” Atos 15:4-5
Vejam! Claramente o grande debate era sobre a circuncisão, pois a circuncisão para todo descendente de Avraham é uma lei de Mosheh, inclusive para aqueles que habitassem em meio a Israel. Paulo e Barnabé compreendiam que tal mandamento não deveria se estender a gentios que não habitassem em Israel, pois os fiéis gentios habitavam entre as nações, como o caso dos colossenses, estudados anteriormente.
9.2. Era sobre a circuncisão e não sobre alimentos.
Durante o concílio relatado em Atos 15, Paulo e Kefa (Petrus, Pedro) destacam que Yhwh havia escolhido os gentios sem a necessidade de exigir deles a circuncisão. Ele enfatiza que muitos haviam recebido o seu poder, o seu espírito, e isso era a maior evidência de que Deus não escolhia as pessoas por seus rituais na carne. Vejamos:
“Então, os apóstolos e os anciãos se reuniram para considerar essa questão (a necessidade ou não da circuncisão).
Depois de longa e intensa discussão, Petrus se levantou e lhes disse:
‘Homens, irmãos, vocês bem sabem que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu dentre vocês para que as pessoas das nações ouvissem da minha boca a palavra das boas novas e cressem.
E Deus, que conhece os corações, mostrou que os aprovava, dando-lhes o espírito separado assim como também tinha dado a nós.
E ele não fez distinção entre nós e eles, mas purificou o coração deles por sua fidelidade.
Portanto, por que vocês agora põem Deus à prova, colocando no pescoço dos discípulos um jugo que nem nossos antepassados nem nós fomos capazes de levar?
Ao contrário, temos fidelidade e somos salvos pela bondade imerecida de nosso senhor Yeshua do mesmo modo que eles.’
Em vista disso, o grupo inteiro ficou calado e começou a escutar Barnabé e Paulo relatar os muitos sinais e milagres que Deus tinha feito por meio deles entre os gentios.” Atos 15:6-12.
9.3. O parecer de Yaakov.
E então, após a fala de Shimeon, o qual Yeshua chamou de Kefa, os gregos de Petrus e nós conhecemos por Pedro, e do testemunho claro de Paulo e Barnabé, Yaakov, irmão de Yeshua — aquele que algumas versões trocam seu nome por Tiago —, o qual era rabino e líder da comunidade, dá seu parecer:
“Depois que (Paulo e Barnabé) pararam de falar, Yaakov tomou a palavra:
‘Homens, irmãos, ouçam-me.
Shimeon relatou em detalhes como Deus, pela primeira vez, voltou sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para seu nome. E com isso concordam as palavras dos profetas, como está escrito:
‘Depois disso, voltarei e levantarei novamente a tenda de David, que está caída; eu reconstruirei as suas ruínas e a restaurarei, a fim de que o restante dos homens busque diligentemente a Yhwh junto com as pessoas de todas as nações;
pessoas que são chamadas pelo meu nome’, diz Yhwh, aquele que faz as coisas conhecidas desde a antiguidade.
Por isso, minha decisão é não causar dificuldades a essas pessoas das nações que estão se convertendo a Deus, mas lhes escrever para que se abstenham de coisas contaminadas por ídolos, de fornicação, de carne sufocada e sangue.
E desde os tempos antigos, Mosheh tem os que pregam em cada cidade, e ele é lido em voz alta nas sinagogas todo shabat.’” Atos 15:13-21
A fala de Yaakov é a mais clara possível. Se anteriormente ficou claro que a pauta do debate não era alimentos e sim a circuncisão, em seu parecer final ele enfatiza a necessidade de se privar da fornicação, ou seja, a atividade sexual desprovida de compromisso através do casamento, e de alimentos impróprios, citando a carne sufocada — aquele sangue coagulado que fica na carne — e o sangue presente em alimentos cárneos mal cozidos.
Ora, alguém lendo tais palavras pode indagar: “Estão vendo? Ele enfatiza a carne sacrificada, a carne sufocada, o sangue, mas ignora os alimentos imundos; desta forma, podemos comer de todas as coisas proibidas anteriormente, correto?”
Errado.
Yaakov cita a fornicação porque entre os povos helênicos, assim como em nossos dias, era muito comum a prática sexual sem compromisso, enquanto entre o povo de Deus toda mulher que se unisse a um fiel deveria ser tomada por ele como esposa ou concubina. Já a respeito dos animais imundos, é muito simples compreendermos por que Yaakov não os cita: ele não os cita porque tal pauta nunca fora tema de debate entre fiéis a Yhwh até aqueles dias.
Yaakov ainda é pontual com respeito à Lei de Deus, à Torah, a qual jamais deveria ter sido ignorada por qualquer professos seguidores de Yeshua. Ele diz claramente:
“Desde os tempos antigos, Mosheh tem os que pregam em cada cidade e ele é lido em voz alta nas sinagogas todo shabat.”
Ora, a decisão de Yaakov de não enfatizar a Torah, a Lei de Deus, a qual ele chama de Mosheh por estar se referindo aos escritos de Mosheh, se dá por um único motivo: os gentios fiéis a Yhwh entre as nações conheciam Yhwh através do ensino dos judeus fariseus que estudavam, debatiam e ensinavam os escritos de Mosheh em todo shabat nas sinagogas.
Portanto, naqueles dias não se fazia necessário enfatizar o estudo de algo que já conheciam. Talvez em nossos dias e em nossa sociedade seja necessário que os discípulos de Yeshua mudem sua conduta, mas não era o caso daqueles fiéis naqueles dias.
9.4. Erro popular, mas indefensável.
Concluímos desta maneira que a utilização das escrituras apostólicas gregas, as quais erroneamente conhecemos como Novo Testamento ou Nova Aliança, para defender o erro de se alimentar com animais imundos é um grande equívoco. Todos os textos citados não estão falando de animais imundos e sim de outros temas como circuncisão, imundícias humanas como as especificadas em Levítico 15, entre outros.
Deus nos proibiu de nos alimentarmos de animais imundos; ele estabeleceu uma regra que definiu quais animais poderíamos nos alimentar e de quais deveríamos nos abster. Por conseguinte, muitos anos após a morte e ressurreição de Yeshua, os apóstolos continuaram fiéis à sua dieta restrita kosher e nunca mudaram tal mandamento, pois eles eram fiéis.











